19/10/2009
Plano de Acção de "14 pares de agulhas"
Onde
Viagem de moliceiro até São Jacinto
Quando
Na semana de 19 a 25 de Outubro de 2009. O data da intervenção está condicionada à previsão do tempo e só será definida quando o sol resolver aparecer.
Trecho do livro
pág. 222, 223, 224 e 225
(...)
Olhou para a Rainha, que subitamente parecia ter-se embrulhado toda em lã. Esfregou os olhos e tornou a olhar. Não conseguia perceber o que acontecera. Estaria numa loja? E seria
mesmo uma ovelha que estava sentada atrás do balcão? Por mais que esfregasse os olhos, não conseguia entender. Encontrava-se numa pequena loja sombria, com os cotovelos apoiados no balcão. À sua frente estava uma velha Ovelha, sentada num cadeirão a fazer tricô, e parando de vez em quando para olhar para ela através de uns óculos muito grandes.
- O que é que tu queres comprar? – perguntou finalmente a Ovelha, levantando os olhos do tricô.
Ainda não sei – disse ela, num tom de voz muito meigo. – Primeiro gostava de olhar à volta a ver o que é que há, se não se importa.
- Podes ver à tua frente e dos lados, se quiseres. Mas não podes olhar a
toda à volta, a não ser que tenhas olhos na parte de trás da cabeça.
Mas, realmente, Alice
não os tinha, por isso contentou-se em dar meia volta, olhando para as prateleiras uma de cada vez.
Parecia que a loja estava cheia de toda a espécie de coisas, mas o mais esquisito era que, quando ela fixava os olhos numa prateleira, para perceber exactamente o que continha, essa prateleira em particular estava sempre vazia, embora todas as outras em redor estivessem a abarrotar de mercadorias.
- As coisas aqui mexem-se muito! – queixou-se ela, por fim, depois de ter passado um minuto ou dois perseguindo em vão uma coisa brilhante muito grande, que às vezes parecia uma boneca e outras uma caixa de costura, e encontrava-se sempre na prateleira por cima daquela que observava.
- E esta é a mais irritante de todas. Mas, já sei como a vou apanhar – acrescentou ela, tendo-lhe assomado ao espírito uma ideia repentina. – Vou segui-la até a última prateleira de todas. Com certeza que se acanhará de subir pelo tecto!
Mas até este plano falhou: a “coisa” atravessou o tecto muito calmamente, como se estivesse bastante habituada a fazê-lo.
- És uma menina ou um pião? – perguntou a Ovelha, pegando noutro par de agulhas. – Pões-me tonta a andares assim à roda.
Trabalhava agora com catorze pares de agulhas ao mesmo tempo, e Alice pôs-se a olhar para ela muito espantada.
“Como é que ela
pode tricotar com tantas agulhas ao mesmo tempo?”, pensou, bastante perplexa. “Parece-se cada vez mais com um porco-espinho!”
- Sabes remar? – perguntou a Ovelha, passando-lhe para a mão um par de agulhas.
- Sim, mais ou menos… mas não na terra… e nunca com agulhas… - começou Alice a dizer, quando de repente as agulhas se transformaram em remos nas suas mãos, e ela achou-se num barquinho, vagando por entre as margens. Por isso, não havia nada a fazer senão desembaraçar-se o melhor que podia.
- Pena! – gritou a Ovelha, pegando noutro par de agulhas.
Descrição resumida da acção
Durante uma viagem de moliceiro, em meio aos turistas que visitam a cidade e aproveitam esse passeio tão característico de Aveiro, retirar da bolsa o par de agulhas e o novelo de lã vermelho, e começar a tricotar. Finalizar a performance somente com o fim do passeio.
Equipamentos necessários
Novelo de tricô vermelho
Par de agulhas de tricô número 5
Bolsa
Bilhete do passeio de moliceiro
Câmara fotográfica
Câmara de filmagem