30/11/2009
Plano de acção de "o jardim das flores vivas"
Nome
o jardim das flores vivas
Onde
Rotunda do Fórum
Quando
Sem data prevista
Trecho do livro
pág. 171 e 172
(…)
- Ó Lírio! – disse Alice, dirigindo-se a uma flor que oscilava graciosamente ao vento. Quem me dera que falasses!
- Nós
podemos falar quando há alguém com quem valha a pena conversar – informou o Lírio.
Alice ficou tão espantada que durante um minuto nem sequer conseguiu articular palavra: aquilo cortou-lhe a respiração. Por fim, visto que o Lírio não fazia mais nada senão continuar a abanar-se, ela tornou a fala, numa voz tímida que era quase um sussurro.
- E
todas as flores podem falar?
- Tão bem como
tu – respondeu o Lírio. E muito mais alto.
- Mas não é educado sermos nós a iniciar a conversa, sabes? – disse a Rosa. – E eu estava mesmo a pensar quando é que tu falavas! Disse cá pra mim, “Pela cara dela, deve ter
algum juízo, embora não seja lá muito inteligente!” Apesar de tudo, tens boa cor, e isso favorece-te.
- A mim não me importa a cor – comentou o Lírio. – Mas até acho que ela seria apresentável se tivesse as pétalas mais encaracoladas.
Alice não gostava que a criticassem, pelo que começou a fazer perguntas:
- Às vezes não têm medo de estarem aqui plantadas, sem ninguém que tome conta de vocês?
- Temos a árvore no meio – disse a Rosa. Para que é que achas que serve?
- Mas o que é que ela fazia se viesse alguém fazer-vos mal? – perguntou Alice.
- Arvorava – disse a Rosa.
E dava-lhes uma galheta! – gritou a Margarida. – É por isso que os seus ramos se chamam galhos!
- Não sabias
disso? – guinchou outra Margarida. E então começaram todas numa grande gritaria, até encherem o ar com as suas vozinhas esganiçadas.
- Calem-se já todas! – berrou o Lírio, agitando-se violentamente e tremendo com a excitação.
- Elas sabem que eu não consigo chegar-lhes! – desabafou ele, curvando a cabeça latejante na direcção de Alice. – Caso contrário não tinham o atrevimento!
- Não faz mal – disse Alice num tom apaziguador. E, baixando-se para as margaridas que voltavam à carga, sussurrou: - Se não se calam imediatamente, colho-vos a todas!
Fez-se logo um silêncio, e várias das margaridas amarelas ficaram brancas de pavor.
- É assim mesmo! – aprovou o Lírio. – As margaridas são as piores. Mal uma abre a boca, começam logo todas a falar. E ouvi-las todas juntas é o suficiente para fazer qualquer um murchar!
- Como é que sabes falar tão bem? – inquiriu Alice, na esperança de que o lírio ficasse bem disposto com um elogio. – Já estive em muitos jardins, mas nenhuma das flores sabia falar.
- Toca com a mão no chão e sente lá – disse o Lírio. – Vais então perceber porquê.
Alice obedeceu.
- É muito duro – disse ela. – Mas não percebo o que é que isso tem a ver.
- Na maioria dos jardins, acamam uma terra muito macia e as flores estão sempre a dormir – disse Alice.
Parecia uma óptima razão, e Alice ficou muito satisfeita por saber.
- Nunca tinha pensado nisso antes! – disse ela.
- Cá a
mim parece-me que tu
nunca pensas – declarou a Rosa, num tom muito severo.
- Nunca vi ninguém com um ar tão estúpido – corroborou uma Violeta tão de repente que Alice deu um pulo de susto, já que ainda não a tinha ouvido falar.
Descrição resumida da acção
A instalação é montada no único canteiro de flores quebrado existente na rotunda do Fórum, região sobre o braço da Ria que divide as freguesias da Glória e da Vera-Cruz. Faz uso de equipamentos facilmente encontrados em lojas de electrónica e é pensada de maneira a interagir com as pessoas que atravessam aquele caminho a pé. O sistema é composto por painéis solares, colunas de computador, um mp3-player e um sonar. Toda a parte electrónica é enterrada no canteiro das flores. O sonar é direccionado para a área por onde passam as pessoas, enquanto as colunas e os painéis solares ficam voltados para cima.
Quando o sonar detectar algum movimento a uma distância inferior a 5 metros, a coluna começará a emitir uma gravação que reproduz as deixas das flores falantes que Alice encontra no Outro Lado do Espelho. Quanto maior for a proximidade da pessoa em relação ao canteiro, mais alto será o volume da conversa. A distância entre os passantes e a instalação agirá como o dial de volume do som que sai das flores. Quanto maior o interesse e a disponibilidade dos pedestre pelo trabalho, mais claro ele se mostra e mais nítida fica a conversa.
Equipamentos Necessários
Painéis solares
Cabos
Colunas de computador
Mp3 player
Sonar
Pilhas recarregáveis
Caixa plástica para proteger os equipamentos
Ferramentas de jardinagem
Equipamento de solda eléctrica
10/11/2009
A conversa entre as flores
Guião da conversa entre as flores.
LÍRIO
“Nós
podemos falar quando há alguém com quem valha a pena conversar”
ROSA
“E eu estava mesmo a pensar quando é que tu falavas! Disse cá para mim, 'Pela cara dela, deve ter
algum juízo, embora não seja lá muito inteligente!' Apesar de tudo, tens boa cor, e isso favorece-te.”
LÍRIO
“A mim não me importa a cor – Mas até acho que ela seria apresentável se tivesse as pétalas mais encaracoladas.”
(silêncio...)
ROSA
“Temos a árvore a meio – Para que é que achas que serve? [como se chamasse o interlocutor de retardado mental]
(silêncio…)
“Arvorava.” [como se dissesse a coisa mais clara do mundo]
MARGARIDA 1
“E dava-lhes uma galheta! [a gritar] É por isso que seus ramos se chamam galhos!”
MARGARIDA 2
“Não sabias disso? [a guinchar]”
[TODAS JUNTAS NUMA GRANDE DISCUSSÃO]
LÍRIO
“Calem-se já todas!” [berrar agitado, cheio de excitação]
“Elas sabem que eu não consigo chegar-lhes!” [respiração funda de quem perdeu as estribeiras] “Caso contrário não tinham o atrevimento!”
(…) [a respiração do LÍRIO desafoga enquanto ele contempla o silêncio]
“É assim mesmo! As margaridas são as piores. Mal uma abre a boca, começam logo todas a falar. E ouvi-las todas juntas é o suficiente para fazer qualquer murchar!”
VIOLETA
“Nunca vi ninguém com um ar tão estúpido…”
07/11/2009
A conversa entre as flores
Gravação da conversa entre as flores. Participam o Lírio, a Rosa, as duas Margaridas e a Violeta.
Para ouvir a conversa, clique no botão abaixo.