20/11/2009
"Os versos que vou recitar foram escritos exclusivamente para o teu deleite"
Durante um passeio pela Vera-Cruz no mês de Maio do ano corrente, encontrei um flyer jogado no chão do largo da Apresentação que anunciava um artista chamado Artur Matos, o “Homem Orquestra”, acordeonista autodidacta, que oferecia seus serviços para casamentos, baptizados, convívios e arraiais.
Perguntei-me se aquele Artur Matos seria o mesmo senhor que canta da janela de casa, no tal Largo da Apresentação. Dobrei e guardei o flyer na mochila para poder confirmar se era mesmo ele e conseguir, depois, uma entrevista.
No início de Novembro, voltei ao Largo da Apresentação à procura do “Homem Orquestra”. Era um dia de muita chuva e a janela onde o suposto senhor Artur Matos costumava cantar estava fechada. Fui a uma vizinha que trabalha com arranjos de roupa, bem em frente da Igreja, a dona Amélia . Ela confirmou, depois de ver o flyer, que aquela pessoa que cantava dali da janela era, sim, o senhor Artur Matos. Perguntei-lhe se ele ainda cantava da janela. Dona Amélia, nitidamente desgostosa, disse que “infelizmente não… Parece que o padre pediu que ele parasse de cantar, para não atrapalhar mais as missas…”. Agradeci muito a simpatia e disse-lhe que em breve entraria em contacto com o senhor Artur.
Deixei a retrosaria e telefonei para o contacto que aparecia no flyer. Naquele dia não me podia receber: estava em Coimbra e voltaria para casa muito tarde. Mesmo assim confirmou, aparentemente desconfiado, a entrevista para o dia seguinte.
No dia seguinte, encontrei-me com ele à porta de casa, na hora combinada. Pousei o casaco e o chapéu-de-chuva na entrada e, antes de irmos para a sala de música onde o senhor Artur canta, fomos para a sala da casa. Logo no início da conversa, pediu-me para voltar a explicar o motivo daquela entrevista e pediu-me também um documento que comprovasse que eu era mesmo aluno da universidade. Apresentei o cartão de estudante, expliquei-lhe o projecto e salientei a importância da entrevista dele para a pesquisa. Tudo entendido, fomos para a sala de música.
Na pequena sala, estava todo o equipamento usado nas apresentações musicais. O jogo de luzes, as potentes colunas, o acordeão, o teclado e os monitores. Além disso, embelezando o espaço, também estavam as bandeiras e os bonecos. Precisou de algum tempo para “afinar” os instrumentos. Quando tudo estava pronto, liguei a câmara e pedi que ele estivesse à vontade, que cantasse as músicas de que mais gostasse, ainda que com as janelas fechadas, à conta da chuva que não queria parar.
Depois da cantoria, foi a entrevista. No total, recolhi quase uma hora de imagens, editadas na pequena peça que se segue. Neste pequeno vídeo mostro trechos das canções e o conteúdo completo da entrevista.
No fim do encontro, depois de muito lhe agradecer, prometi gravar num DVD as imagens recolhidas naquele dia. O senhor Artur Matos, o “Homem Orquestra”, não se despediu sem antes me pedir ajuda para divulgar o seu trabalho: “Sabe n’é?... as coisas andam difíceis… Se aparecer alguma festa, dos seus amigos ou coisa assim, não se esqueça de me chamar para tocar, ‘tá bem?”
15/11/2009
Plano de Acção de "Os versos que vou recitar foram escritos exclusivamente para o teu deleite"
Nome
Os versos que vou recitar foram escritos exclusivamente para o teu deleite
Onde
Largo de Nossa Senhora da Apresentação, ao lado da Igreja Matriz da Vera-Cruz
Quando
12 de Novembro de 2009
Trecho do livro
pág. 240, 241, 242, 243 e 244
(…)
- Bem, já que falamos de poesia… - disse Humtpy
(sic) Dumpty, estendendo uma das suas enormes mãos. – Eu cá, quando toca à poesia, sou um ás a recitar.
- Oh, não será necessário! – apressou-se Alice a dizer, esperando impedi-lo de começar.
- Os versos que vou recitar foram escritos exclusivamente para teu deleite – continuou ele, ignorando o comentário da menina.
Alice achou que, sendo assim, tinha
mesmo de ouvir, pelo que se sentou e disse tristemente: - Muito Obrigada.
- “No Inverno, quando cai a neve,
Canto pra ti esta canção breve”
só que eu não canto – explicou ele.
- Bem vejo que não – retorquiu Alice.
- Se consegues
ver se eu estou ou não a cantar, tens uma vista muito apurada – disse Humpty Dumpty, todo empertigado. Alice não respondeu.
- “Na primavera, quando o verde vier,
Tentarei explicar-te o que quer dizer.”
- Muito obrigada – disse Alice.
- “No Verão, quando o tempo é comprido,
Talvez lhe entendas o sentido;
No Outono, estação cruel,
Escreve-a a tinta num papel”
- Assim farei, se ainda me conseguir lembrar – disse Alice.
- Não precisas de estar sempre a fazer comentários desses – censurou Humpty Dumpty. São uma tolice e cortam-me a inspiração.
“Mandei aos peixinhos um recado
Dizendo: ‘Farei isto do meu agrado’;
Mas os peixinhos do mar
Mandaram uma resposta invulgar.
E a resposta deles foi isto:
‘Não podemos, Senhor, visto…’”
- Acho que não estou a compreender muito bem – disse Alice.
- Para frente já é mais fácil.
“Mandei-lhes de novo dizer:
‘Será melhor obedecer’
Responderam em tom mordaz:
‘Mostre lá do que é capaz’-
Cansei-me de o repetir;
Eles não me quiseram ouvir.
Peguei numa chaleira nova,
E resolvi pô-la à prova.
Com o coração a pular,
Meti a chaleira a chiar,
Depois alguém me veio prevenir:
Os peixinhos já estão a dormir.
- Tens de os acordar novamente –
- disse-lhe eu muito claramente.
Disse-lhe eu num tom decidido;
Aliás, gritei-lhe ao ouvido.
Humpty Dumpty ergueu a voz quase num grito ao declamar estes versos, e Alice pensou, estremecendo: “Eu cá é que não era o mensageiro
nem que me pagassem!”
Mas ele arredou-se num salto;
Disse: - Escusas de gritar tão alto.
Mas ele deu um salto de espanto;
Disse: - Eu ia acordá-los, contanto…
Tirei um saca-rolhas da estante;
Fui acordá-los num instante.
E quando à porta cheguei,
Bati e gritei, bati e puxei.
E porque a porta não cedia
Tentei a maçaneta, todavia…
Fez-se um longo silêncio.
- É tudo? – perguntou Alice timidamente.
- É tudo – confirmou Humpty Dumpty. – Adeus.
Descrição resumida da acção
Artur Matos - o “Homem Orquestra”, nos dias de bom tempo, tem o costume de se colocar numa janela do segundo andar da sua casa para cantar e tocar para as pessoas que passam pelo largo da Igreja Matriz da Vera-Cruz, dedicada à Nossa Senhora da Apresentação.
A acção resume-se a entrar em contacto com o senhor Artur Matos e entrevistá-lo, de maneira a perceber as razões pelas quais ele, do alto, canta poemas para a Vera-Cruz.
Equipamentos Necessários
Telemóvel para contacto
Número do telefone do senhor Artur Matos
Câmara de filmagem
13/11/2009
"...a música é minha vida..."
Entrevista realizada no dia 12 de Novembro. Em breve mais informações.
13/11/2009
Imagens na primaveira
Fotos tiradas em Maio de 2009.
11/11/2009
"Os versos que vou recitar foram escritos exclusivamente para o teu deleite"
Marcada entrevista com Artur Matos, o Homem Orquestra, para amanhã, dia 12 de Novembro.